o ar voltou a estar fétido

Embebido numa parede sem poder desligar a luz. O diabo vem e faz truz-truz.

Os Cães

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Estou ainda no cimo do amontoado de tijolos. Não ladram e têm dentes perfeitos e brancos. Vejo-os aproximarem-se enquanto caminhava azinhaga abaixo, e a primeira coisa que reparei enquanto deambulava foram os tijolos e outros materiais de construção empilhados perfeitamente de encontro aos barracões de zinco. Do outro lado, um mínimo prado, cenário irreconciável com Lisboa e dividido por um caminho que não é usado por muita gente. Encontrarão vestigios de jornais dos anos 90 e 80 por lá, latas de pepsi ainda com cor branca [na verdade totalmente branca]. Os animais que se dirigem a mim, denunciam-se primeiro sonoramente galgando 50 metros no espaço de tempo necessário para eu encontrar também uma solução para não ser mordido várias vezes. Têm uma cor castanha bela e dentes perfeitos e brancos e eu sinto-me mal e rídiculo. É o medo, penso, é o medo que te está a paralisar as pernas e a aumentar o intervalo entre inalar e exalar e os teus poros estão a borrifar o ar com toda esta adrenalina para o nariz dos cães. O que fazer? Procuro um cigarro inutilmente e acendo-o de qualquer modo. Telefonar a alguém? Não, não. Gritar por ajuda? Sim isso, não vejo ninguém mas talvez o som chegue aos ouvidos de alguém. Enquanto isso os cães farejam, ora abandonam o local olhando para trás frustrados.

Escrito por pcrime

Abril 28, 2006 às 5:27 am

Publicado em Animalia

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